Depoimentos

Em 24/12/2011, às 10:02, Flavia Cristina Simonelli do Grupo X da Formação em Aconselhamento Biográfico escreveu:

Queridos amigos,

Diante de tantos sentimentos tão verdadeiramente colocados nessas mensagens, vivencio uma certa escassez de linguagem, quando o que vai no coração é grande e as palavras se fazem pequenas demais. Então, vem a sensação de incapacidade, de inconformismo. Como não consigo dizer nada? Como não consigo colocar nesse espaço que se fez entre nós, espaço que um dia chegou aberto, cheio de perguntas, cheio de expectativas, naquela primeira semana de formação na Artemisia. Naquela primeira semana, quando todos eram apenas pessoas desconhecidas, com histórias que não tinham nada a ver comigo, e que estavam ali para iniciar um curso, como tantos outros, um curso que daria uma metodologia para ser… o que mesmo? Biógrafo? Não, biógrado é quem escreve biografias. Terapeuta biográfico? Não, não, terapia é coisa para psicólogo. Sim, para sermos algo com um nome estranho, que o mundo em geral pergunta, aconselhador o quê? Biográfico. Aconselhador biográfico. E diante dessa resposta, as pessoas nos olham com um ar cheio de perguntas. Perguntas que talvez após quatro anos, ainda façamos a nós mesmos. Porque o que era um simples curso para aprender as leis biográficas, o caminho do desenvolvimento humano e quem sabe, capacidades para sermos esses tais aconselhadores, tornou-se uma jornada.
Uma jornada que trouxe velhas perguntas, suscitou outras, mais escondidas, que demoraram a se mostrar. E de algumas respostas, sempre inacabadas, imperfeitas, porque a caminhada prossegue.
Perguntas e respostas às vezes tão surpreendentemente iguais que nos uniram numa cumplicidade raras vezes experimentada na vida. Outras vezes, diferentes, e eu diria, pouquíssimas vezes…diferentes. E quando assim o eram, vinha a objetividade do olhar alheio capaz de apontar o que nosso próprio espelho não reflete.
Uma jornada também feita por vezes de embates, de conflitos. E lágrimas compartilhadas, dores acolhidas, esperanças despertadas.
Uma jornada que jamais será feita da mesma forma.
Porque já somos outros.
E cada um de vocês me ajudou a ser outra. Outra? Não, cada um de vocês me ajudou a desvendar o que se escondia nos meandros da alma, por medo, por insegurança, por confundir-me com as vozes que não eram minhas.
Cada um de vocês me ajudou a ser eu mesma.
E não existem palavras à altura dessa gratidão.